O ano era 1967. Verão do amor, revolução de costumes, movimento hippie. Jimi Hendrix “tocando fogo” em sua guitarra no festival de Monterrey e os Beatleas lançando “Sgt. Peppers. Esse clima psicodélico marcou o ano e colocou três letrinhas no dicionário daqueles tempos: LSD, o ácido lisérgico.
Em 1943, o químico suíço Albert Hofmann estava no laboratório pesquisando alcaloides de um fungo quando começou a se sentir estranho e ter alucinações. Hofmann posteriormente investigou quais poderiam ter sido as causas da “viagem acidental” e concluiu que poderia ter absorvido, através da pele, a substância que tinha acabado de produzir: a dietilamida do ácido lisérgico, sintetizada por ele cinco anos antes. Para confirmar as suspeitas, ele tomou uma dose dissolvida num copo d`água. Rindo feito criança, saiu de bicicleta pelas ruas, vendo cores mais vibrantes. Dessa vez não foi nada acidental, e sim a primeira “viagem” de ácido voluntária que se tem notícia.
Na década de 1960, o consumo alcançou seu auge, muito em função da “nuvem psicodélica” que cobria aqueles dias, e também por um certo Timothy Leary, psicólogo, neurocientista e grande disseminador do LSD. Se o ácido era bastante popular entre artistas ou simplesmente entre quem queria “ficar doidão”, também foi usado em interrogatórios de órgãos e departamentos de investigação americanos.
Era começo dos anos 1960. George White se sentou e se pôs a tomar Martini e a observar prostitutas e seus clientes tomando LSD no apartamento que ele alugara em San Francisco. A cena fazia parte do projeto Clímax da meia-noite, e a missão de George, que pertencia à divisão de narcóticos da CIA, era pesquisar a ação de drogas psicodélicas para o governo americano. O oficial analisava o comportamento das pessoas, que nem suspeitavam estarem sob o efeito de LSD. A conclusão foi de que os testes com drogas poderiam ser usados em interrogatórios para desinibir o indivíduo, deixando-o indefeso, respondendo a qualquer pergunta sem nenhum tipo de restrição. White sugeriu aos superiores e a CIA começou a usar o método. Segundo uma matéria da revista TIME, de 1977, “ mulheres atraíram os rapazes para esconderijos e lhes davam LSD ou maconha, enquanto outros homens olhavam através de um falso espelho e gravavam a cena. As mulheres, aparentemente prostitutas clandestinas, ganhavam 100 dólares por cada trabalho para a CIA”.
A paranoia da Guerra Fria também levou o governo americano a desenvolver técnicas para controlar a mente do interrogado. A CIA acreditava que os soviéticos faziam práticas similares, então, em 1953, foi criado o projeto MKUltra, também com o objetivo de conseguir, com LSD, mescalina, cogumelos e outras drogas, o “soro da verdade.”
Os testes eram realizados com todo o cuidado possível, nada podia vazar. Porém, a trama veio à tona. James Thornwell, um soldado negro americano, foi acusado de traidor por um suposto roubo de documentos secretos.O soldado, então com 22 anos, foi preso em Paris e levado a um apartamento, onde foi confinado e torturado por seis semanas. Como não revelou o que queriam, agentes deram a ela LSD em uma dosagem forte. James ficou paranoico, teve um ataque de histeria, mas não falou nada e os agentes acabaram soltando-o. O soldado pediu indenização à justiça americana. Vinte anos depois, recebeu 650 mil dólares e nunca mais foi visto.
Às margens do rio Ródano, Pont-Saint-Esprit é uma comunidade localizada na região de Languedoc-Roussillon, no sul da França, a 543 quilômetros de Paris. Seus poucos mais de 10 mil habitantes, segundo censo de 2005, devem saber que a pequena cidade foi cenário de um mistério digno de livros policiais. Em 1951, Saint-Esprit foi assolada por alucinação coletiva de dar inveja às viagens malucas do Grateful Dead pela Costa Oeste americana.
A população da cidadezinha, em total delírio, via demônios e fantasmas em todas as esquinas, pessoas tentavam fugir de cobras imaginárias. Tem até a história de um menino de 11 anos que tentou estrangular a própria mãe. Duzentas pessoas tiveram algum tipo de distúrbio, mais de 30 sofreram alucinações severas e quatro morreram. O caso ficou conhecido como Pão Maldito, na época, culpou-se um padeiro, que teria vendido pão envenenado. Hipótese que o repórter investigativo e escritor Hank Albarelli Jr. refuta. Em seu livro A Terrible Mistake (2010), ele diz que se trata de mais uma experiência a CIA com LSD. O livro é centrado na obtusa morte de Frank Olson, químico da CIA que estava em Saint-Esprit no surto coletivo e nos experimentos do serviço e inteligência americano durante a Guerra Fria. Albarelli afirma que suas investigações e os documentos que conseguiu reunir levam a crer que Frank foi assassinado por ter vazado informações secretas.
Ainda há muitos casos que merecem profunda investigação, diz o escritor. Para Albarelli, isso não e coisa do passado: a CIA só não pensava que o LSD poderia ser o “soro da verdade”, como continuaria, juntamente com o governo dos Estados Unidos, usando em seus interrogatórios.
(Oséias Rodrigues)
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Telas Literárias
Tecnologia! Sinônimo de modernidade nos alcançando a cada passo desse século XXI. E como todas as grandes inovações nos dispositivos eletrônicos, a arte de escrever e o exercício de folhear um livro, já não é uma pratica distante do mundo tecnológico. São os livros eletrônicos inovando espaço e “empoeirando os exemplares nas estantes.”.
Talvez não seja assim tão bruscamente que os leitores mudaram a pagina, mas essa inovação já tem espaço significativo na sociedade. Não precisa ir longe para perceber que a leitura esta com uma roupagem diferente, mas com a mesma finalidade.
Voltando do trabalho um dia, encontrei uma amiga no ônibus e ela estava lendo a bíblia pelo celular. Quem sabe assim seria mais fácil para os cristãos carregar a bíblia para onde for, afinal, hoje em dia, ninguém sai de casa sem o celular. Por outro lado, imagina se os padres, pastores e evangelizadores, usassem o celular para ler a bíblia na missa, no culto e nos momentos de oração. Imagino que Deus também usaria o wi-fi para todos ligarem o Bluetooth e receber o Espírito Santo.
Esse tipo de leitura é um progresso tamanho, mas também não é pra tanto! Os livros eletrônicos, por estar em seus poucos anos de vida tem muito espaço ainda para conquistar diante dos séculos percorridos pelos livros escritos e editados no papel. Penso que se fosse um atrativo que incentivasse as pessoas a lerem mais a buscarem a leitura diariamente, seria uma boa cartada, e assim como muitos outros dispositivos, as pessoas não desgrudariam os dedos das telinhas para ler.
Nós brasileiros, principalmente não temos muito gosto para leitura seja na forma agora, “antiquada”, seja na forma moderna. Na verdade não existe forma para leitura, e sim gosto e acesso aos livros e ao mundo literário. E essa realidade, é demasiadamente distante dos nossos hábitos. Assim nos encontramos na necessidade de transformar, digo até revolucionar essa carência das pessoas com os livros.
Falando um pouco dos leitores, muito tem gostado dessa prática, compram os livros eletrônicos e se sentem mais aconchegados com isso. Pesquisas revelam que a maioria dos jovens e adolescentes prefere esse tipo de leitura, e na verdade tudo passa por esse processo tecnológico no mundo, o “antigamente” faz parte de ontem e de um livro escrito por Jose de Alencar a séculos atrás. E hoje, temos esse mesmo livro, já com as paginas amareladas, e os aparelhos eletrônicos com as paginas acesas. O que é importante destacar é que independente da época e da forma como são feitos os livros, a emoção e interesse do leitor podem ser o mesmo.
Contudo, ainda fico com a busca dos livros na estante, onde o cheiro dos livros me estimula a mais uma leitura prazerosa. É uma tradição na quais muitos não abrem mão, mas também não vejo os livros eletrônicos como “intocáveis”. Mas, penso que um livro fora do papel é como diz na musica do Skank: “É como mergulhar no rio e não se molhar é ter o estomago vazio e não almoçar é ver o céu se abrir no estilo e não se animar”.
Felizmente, tem leitura para bem melhor servir a todos, basta ter vontade. Então, cabe a nos leitores priorizar não a forma como se lê e sim a importância de ampliar o gosto pela leitura, ainda que com os dizeres do livro no papel, ou com as telas escritas acesas.
(Bruna Soares)
Talvez não seja assim tão bruscamente que os leitores mudaram a pagina, mas essa inovação já tem espaço significativo na sociedade. Não precisa ir longe para perceber que a leitura esta com uma roupagem diferente, mas com a mesma finalidade.
Voltando do trabalho um dia, encontrei uma amiga no ônibus e ela estava lendo a bíblia pelo celular. Quem sabe assim seria mais fácil para os cristãos carregar a bíblia para onde for, afinal, hoje em dia, ninguém sai de casa sem o celular. Por outro lado, imagina se os padres, pastores e evangelizadores, usassem o celular para ler a bíblia na missa, no culto e nos momentos de oração. Imagino que Deus também usaria o wi-fi para todos ligarem o Bluetooth e receber o Espírito Santo.
Esse tipo de leitura é um progresso tamanho, mas também não é pra tanto! Os livros eletrônicos, por estar em seus poucos anos de vida tem muito espaço ainda para conquistar diante dos séculos percorridos pelos livros escritos e editados no papel. Penso que se fosse um atrativo que incentivasse as pessoas a lerem mais a buscarem a leitura diariamente, seria uma boa cartada, e assim como muitos outros dispositivos, as pessoas não desgrudariam os dedos das telinhas para ler.
Nós brasileiros, principalmente não temos muito gosto para leitura seja na forma agora, “antiquada”, seja na forma moderna. Na verdade não existe forma para leitura, e sim gosto e acesso aos livros e ao mundo literário. E essa realidade, é demasiadamente distante dos nossos hábitos. Assim nos encontramos na necessidade de transformar, digo até revolucionar essa carência das pessoas com os livros.
Falando um pouco dos leitores, muito tem gostado dessa prática, compram os livros eletrônicos e se sentem mais aconchegados com isso. Pesquisas revelam que a maioria dos jovens e adolescentes prefere esse tipo de leitura, e na verdade tudo passa por esse processo tecnológico no mundo, o “antigamente” faz parte de ontem e de um livro escrito por Jose de Alencar a séculos atrás. E hoje, temos esse mesmo livro, já com as paginas amareladas, e os aparelhos eletrônicos com as paginas acesas. O que é importante destacar é que independente da época e da forma como são feitos os livros, a emoção e interesse do leitor podem ser o mesmo.
Contudo, ainda fico com a busca dos livros na estante, onde o cheiro dos livros me estimula a mais uma leitura prazerosa. É uma tradição na quais muitos não abrem mão, mas também não vejo os livros eletrônicos como “intocáveis”. Mas, penso que um livro fora do papel é como diz na musica do Skank: “É como mergulhar no rio e não se molhar é ter o estomago vazio e não almoçar é ver o céu se abrir no estilo e não se animar”.
Felizmente, tem leitura para bem melhor servir a todos, basta ter vontade. Então, cabe a nos leitores priorizar não a forma como se lê e sim a importância de ampliar o gosto pela leitura, ainda que com os dizeres do livro no papel, ou com as telas escritas acesas.
(Bruna Soares)
quarta-feira, 2 de maio de 2012
“Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada”.
Parece que já está virando rotina: os brasileiros sofrem nas mãos de políticos e tudo cai no esquecimento. Mensalão, corrupção, dinheiro na cueca, envolvimento com bicheiros, entre outros fatos, acontecem e, pouco depois, caem no esquecimento do povo. Mas porque na Europa é diferente do Brasil? No Brasil, os próprios políticos investem capital nas eleições ( ou conseguem financiamento de empresários) e depois tomam (do dinheiro do povo) com impostos e correção! Na Europa, o povo gera o povo financia a campanha e depois cobra retorno! No congresso dizem que no Brasil pode vir a acontecer um financiamento publico, vamos aguardar e ver aonde termina
Pois bem, época de eleições chegando, começa sempre aquele blá blá blá, aquele promete e não cumpre. Estamos às vésperas de eleição municipais pra vereador e prefeito. Mas quando podemos confiar? Quase nunca! Essa é a mais triste e dura realidade, sempre tem uma esperança no coração de cada brasileiro, pode ser um simples pensamento de um boçal ou simplesmente a esperança de pessoas simples de coração! É muito fácil ir adiante e esquecer que a coisa toda está errada, tudo cai no esquecimento, mas vivemos esperando um dia em que o país vivera grande mudança! Como é véspera de eleição de prefeito e vereador, esperamos uma mudança principalmente em nossa área, Contagem/BH e regiões. Mas infelizmente estamos longe demais das capitais, mais perto de um velho mundo do que de um mundo novo. Mas creio que lá no fim do túnel vem uma mudança (pelo menos pra nossa região), vamos deixar de ser uma cidade ingênua, na qual caímos em conto do vigário. Eu abraço Contagem, abrace você também! Abraçar votando certo, cobrando as pessoas certas e não deixe que uma ou algumas notas de R$ 100 comprem seu voto. Os 100 reais ganhados hoje podem ser os R$ 300 que você gastará amanhã com conserto de veículo que danificou com a rua esburacada! Abrace Contagem, podemos sim acreditar e melhorar Contagem! Melhorar votando certo, analisando a vida do candidato, ver se o plano de trabalho coincide com a natureza do cargo.
Pense!
Ps: Rodrigo Vieira
Pois bem, época de eleições chegando, começa sempre aquele blá blá blá, aquele promete e não cumpre. Estamos às vésperas de eleição municipais pra vereador e prefeito. Mas quando podemos confiar? Quase nunca! Essa é a mais triste e dura realidade, sempre tem uma esperança no coração de cada brasileiro, pode ser um simples pensamento de um boçal ou simplesmente a esperança de pessoas simples de coração! É muito fácil ir adiante e esquecer que a coisa toda está errada, tudo cai no esquecimento, mas vivemos esperando um dia em que o país vivera grande mudança! Como é véspera de eleição de prefeito e vereador, esperamos uma mudança principalmente em nossa área, Contagem/BH e regiões. Mas infelizmente estamos longe demais das capitais, mais perto de um velho mundo do que de um mundo novo. Mas creio que lá no fim do túnel vem uma mudança (pelo menos pra nossa região), vamos deixar de ser uma cidade ingênua, na qual caímos em conto do vigário. Eu abraço Contagem, abrace você também! Abraçar votando certo, cobrando as pessoas certas e não deixe que uma ou algumas notas de R$ 100 comprem seu voto. Os 100 reais ganhados hoje podem ser os R$ 300 que você gastará amanhã com conserto de veículo que danificou com a rua esburacada! Abrace Contagem, podemos sim acreditar e melhorar Contagem! Melhorar votando certo, analisando a vida do candidato, ver se o plano de trabalho coincide com a natureza do cargo.
Pense!
Ps: Rodrigo Vieira
quarta-feira, 18 de abril de 2012
18 de Abril (Dia do Amigo)
O idealizador do blog, Rodrigo, ficou me cobrando a semana toda meu texto. Disse pra ele que, no final de semana, ele o receberia. Mas nem me lembrei, ontem ele veio me cobrar novamente e eu disse que hoje eu escreveria e fiquei pensando comigo mesmo: “Que saco! Não gosto que as pessoas fiquem me cobrando as coisas!”
Hoje meu dia tinha tudo para ser maravilhoso: estava de folga, ia descansar... Mas, ao contrário, me estressei hoje o dia inteiro, não fiz nada, discuti com o meu pai e mais tarde descobri coisas dele que me magoaram muito, mas das quais não convém falar aqui. Além disso, estou gripado e com dor nas costas e ainda tenho que escrever um “maldito texto”! Eu pensei comigo mesmo, “não vou conseguir escrever esse texto!” Mas eu tinha que escrever e então, de repente:
“É FENOMENAL, MULTICULTURAL,
TEM LIMÃO TEM SAL, TEM DANCE TEM HALL,
TEM A MARGINAL, TEM HOMENS DE MAL,
TEM HOMENS A MIL ... NA CIDADE DE MIL GRAU “
trecho de uma música do grupo de rap Pentágono (Multicultural)
...comecei a ouvir o rap acima e comecei a escrever e a refletir. Eu tive tempo para escrever o texto e simplesmente não escrevi porque estava preocupado demais com os problemas da minha vidinha mesquinha, sabe quando você esta pensando em desistir de tudo? E tudo está ruim? Todo mundo já passou por isso... só que enquanto eu continuar pensando assim minha vidinha vai continuar mesquinha, que reviravolta de pensamento não é? Mas de onde veio essa minha reviravolta? De pessoas que se importam comigo e ficam me cobrando uma reação! O idealizador desse blog se preocupa com o blog, mas mais do que isso ele se preocupa com seus amigos e amigo que é amigo cobra, chama atenção! E é isso que ele tem feito! A simples cobrança de um texto para um blog faz uma reviravolta enorme em nossa vida! A mensagem que eu quero passar aqui é: valorize seus verdadeiros amigos! Obrigado por toda encheção de saco, Rodrigo Vieira!
“Minha simples, mas mais sincera homenagem a meu amigo!”
(Oseias Rodrigues)
Hoje meu dia tinha tudo para ser maravilhoso: estava de folga, ia descansar... Mas, ao contrário, me estressei hoje o dia inteiro, não fiz nada, discuti com o meu pai e mais tarde descobri coisas dele que me magoaram muito, mas das quais não convém falar aqui. Além disso, estou gripado e com dor nas costas e ainda tenho que escrever um “maldito texto”! Eu pensei comigo mesmo, “não vou conseguir escrever esse texto!” Mas eu tinha que escrever e então, de repente:
“É FENOMENAL, MULTICULTURAL,
TEM LIMÃO TEM SAL, TEM DANCE TEM HALL,
TEM A MARGINAL, TEM HOMENS DE MAL,
TEM HOMENS A MIL ... NA CIDADE DE MIL GRAU “
trecho de uma música do grupo de rap Pentágono (Multicultural)
...comecei a ouvir o rap acima e comecei a escrever e a refletir. Eu tive tempo para escrever o texto e simplesmente não escrevi porque estava preocupado demais com os problemas da minha vidinha mesquinha, sabe quando você esta pensando em desistir de tudo? E tudo está ruim? Todo mundo já passou por isso... só que enquanto eu continuar pensando assim minha vidinha vai continuar mesquinha, que reviravolta de pensamento não é? Mas de onde veio essa minha reviravolta? De pessoas que se importam comigo e ficam me cobrando uma reação! O idealizador desse blog se preocupa com o blog, mas mais do que isso ele se preocupa com seus amigos e amigo que é amigo cobra, chama atenção! E é isso que ele tem feito! A simples cobrança de um texto para um blog faz uma reviravolta enorme em nossa vida! A mensagem que eu quero passar aqui é: valorize seus verdadeiros amigos! Obrigado por toda encheção de saco, Rodrigo Vieira!
“Minha simples, mas mais sincera homenagem a meu amigo!”
(Oseias Rodrigues)
domingo, 25 de março de 2012
O Maior Brasileiro de Todos os Tempos

Muito se fala na programação do SBT sobre o maior brasileiro de todos os tempos. Em minha opinião, sem dúvida, seria o MESTRE Silvio Santos, pela sua trajetória de vida e por ser um baita apresentador e comunicador! Mas como não podemos votar em nenhuma pessoa que engloba o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), resta votar em outro astro brasileiro, mas quem?
Pelé, Ayrton Sena, Romário, Juscelino Kubitscheck, Lula, Chico Xavier, Santos Dumont, Monteiro Lobato, Getulio Vargas, Cazuza, Hebe Camargo, Itamar Franco e até mesmo a despachada Dercy Gonçalves são nomes muito badalados entre os internautas.
Pelé não foi e nem é o maior brasileiro de todos os tempos. Dentro de campo foi genial, mas fora dele não foi nada além de um ser humano normal e cheio de falhas (entre suas falhas não assumir sua própria filha). E o Brasil ( e o brasileiro) é bem mais que futebol! Ayrton Sena, Juscelino Kubitscheck e Chico Xavier representariam muito bem a nossa pátria.
Confesso que votei no Juscelino, apesar de não ser da minha época, foi o responsável pela construção de uma nova capital federal, Brasília. Com ele, o Brasil viveu um período de notável desenvolvimento econômico e relativa estabilidade política, ele era um democrata.
Até que ponto podemos nos espelhar no “vencedor” dessa disputa?
Adoraria ver pessoas com a mesma garra de Ayrton Sena, mesma solidariedade de Chico Xavier e mesma força de vontade de Lula. Mas no Brasil de hoje, não nos espelhamos em grandes ícones do nosso país, o povo brasileiro prefere acreditar e espelhar em corruptos, assassinos e Funkeiros.
Votei no Juscelino em uma lan house (próxima de minha residência) e quando abri o site do SBT e fui votar, um rapaz (do meu lado esquerdo) e uma senhora (do meu lado direito) abriram posteriormente e votaram. Tive a curiosidade de “espiar” em quem votaram: O jovem votou no Bruno Fernandes de Souza (Ex goleiro); a senhora votou na Ana Maria Braga.
Imaginem o Bruno sendo “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”, melhor nem imaginar, né!
Ana Maria Braga como a maior brasileira de todos os tempos seria no mínimo bizarro, era melhor dar a ela o título de melhor cozinheira de todos os tempos. Tá certo que ela lutou bravamente quando esteve doente e seria interessante passar essa mensagem pro povo brasileiro, mas a maioria nem sabe disso ou sabe apenas que ela é a famosa apresentadora da Rede Globo!
Precisamos de um ícone pra ganhar e podermos nos espelhar, fico na torcida pelo JK, ou por alguém que seja semelhante!
Criamos aqui no nosso blog a mesma enquete sobre o maior brasileiro de todos os tempos. Podem votar quantas vezes quiser… No mais, um forte abraço a todos e até a próxima!
(Rodrigo Vieira)
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Sobre o BBB, os zoológicos e o fim do mundo (das idéias, talvez)
Voltando de viagem, li uma notinha em uma revista de circulação nacional que destacava as exigências pouco convencionais de alguns artistas estrangeiros para se apresentarem no Brasil. Dentre elas, uma banda pedia uma visita ao Jardim Zoológico.
Não tenho dúvida de que pedido tem a ver com certa concepção dos estrangeiros acerca do exotismo da Terra brasilis. Mas se a questão é confirmar os estereótipos do “mundo selvagem” (ou da selvageria), cogitei se não seria mais interessante levar a tal banda para ver o Big Brother Brasil. Afinal, os animais dos zoológicos, além de não serem todos da fauna brasileira, não optaram por estar ali. Além disso, conservam certa altivez, algo instintivo.
No BBB, os animais optaram por ali estar, abrem mão de qualquer vestígio de civilização, cultura e humanização e colocam-se a mercê dos “instintos artificiais”. Sim, instinto artificial… os instintos servem para nos manter vivos… a gente come, bebe, vai ao banheiro e tem desejos sexuais com intuito de sobreviver. A cultura (as culturas) contextualiza e condiciona esses instintos, mas quando a mídia de massa coloca seres humanos em situações nada reais, ela nega a cultura e o bom gosto e o que temos é um festival de horrores. Ali, a única coisa que se mantém viva é essa mídia que se alimenta da nossa ignorância e, num círculo vicioso, nos aprisiona ao pior de nós mesmos.
Alguns dirão que essa fórmula não foi bem sucedida apenas no Brasil e que uma dose de voyeurismo (essa satisfação de refestelar com a vida alheia) é até saudável. O problema é que em um país onde a educação tem sido atribuída apenas à instituição escolar e a educação escolar ainda capenga, a mídia faz mais estrago. Também tenho minhas dúvidas se em algum outro lugar transformaram as diferenças tão efetivamente em anomalias, reproduzindo racismo, homofobia, cultura dos corpos e ode à juventude.
Agora, violência sexual também faz parte da grade dos horrores e tudo tratado como “natural”. Ninguém faz nada? Faz… Assiste a tudo! Quanto ao voyeurismo, aviso “aos navegantes”, aos “heróis da vida real” que aquilo não é vida real, assim, não há o que observar. Àqueles que gostam de observar a vida dos outros observem vidas de quem nos lembram do que é ser humano… vão estudar história, ler uma biografia relevante. Ou vão simplesmente viver… Quanto ao fim do mundo proclamado para 2012, deve ser o BBB ou nossa apatia diante das coisas. A apatia é o fim!
(Érica Melanie)
Não tenho dúvida de que pedido tem a ver com certa concepção dos estrangeiros acerca do exotismo da Terra brasilis. Mas se a questão é confirmar os estereótipos do “mundo selvagem” (ou da selvageria), cogitei se não seria mais interessante levar a tal banda para ver o Big Brother Brasil. Afinal, os animais dos zoológicos, além de não serem todos da fauna brasileira, não optaram por estar ali. Além disso, conservam certa altivez, algo instintivo.
No BBB, os animais optaram por ali estar, abrem mão de qualquer vestígio de civilização, cultura e humanização e colocam-se a mercê dos “instintos artificiais”. Sim, instinto artificial… os instintos servem para nos manter vivos… a gente come, bebe, vai ao banheiro e tem desejos sexuais com intuito de sobreviver. A cultura (as culturas) contextualiza e condiciona esses instintos, mas quando a mídia de massa coloca seres humanos em situações nada reais, ela nega a cultura e o bom gosto e o que temos é um festival de horrores. Ali, a única coisa que se mantém viva é essa mídia que se alimenta da nossa ignorância e, num círculo vicioso, nos aprisiona ao pior de nós mesmos.
Alguns dirão que essa fórmula não foi bem sucedida apenas no Brasil e que uma dose de voyeurismo (essa satisfação de refestelar com a vida alheia) é até saudável. O problema é que em um país onde a educação tem sido atribuída apenas à instituição escolar e a educação escolar ainda capenga, a mídia faz mais estrago. Também tenho minhas dúvidas se em algum outro lugar transformaram as diferenças tão efetivamente em anomalias, reproduzindo racismo, homofobia, cultura dos corpos e ode à juventude.
Agora, violência sexual também faz parte da grade dos horrores e tudo tratado como “natural”. Ninguém faz nada? Faz… Assiste a tudo! Quanto ao voyeurismo, aviso “aos navegantes”, aos “heróis da vida real” que aquilo não é vida real, assim, não há o que observar. Àqueles que gostam de observar a vida dos outros observem vidas de quem nos lembram do que é ser humano… vão estudar história, ler uma biografia relevante. Ou vão simplesmente viver… Quanto ao fim do mundo proclamado para 2012, deve ser o BBB ou nossa apatia diante das coisas. A apatia é o fim!
(Érica Melanie)
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Bão dimais!
Eu, definitivamente, adoro os festejos juninos. Ouvi esses dias, nas chamadas do programa da Regina Casé (por sinal, fantástico e genuíno), que brasileiro tem “vocação para festa”. Em outros contextos isso poderia até ser interpretado de forma negativa: vocação para festa em oposição a vocação para o trabalho, mas tenho certeza que não era essa a intenção do programa. Em todo caso, defendo a idéia de que o brasileiro tem vocação (e deve investir nisso) para Festa Junina (tanto é que já deu um jeito de esticá-las para julho). Para mim, é a festa das festas. A festa nacional, a cara do Brasil sertanejo. É cara do Brasil justamente porque têm várias caras, vários ritmos, várias gingas.
Enquanto as festas de final de ano têm elementos de qualquer parte do mundo, uma cara comercial e uma “ressaca” anual, as festas juninas cumpriram o ritual antropofágico tão propagado pelos modernistas: engoliram as quadrilhas de salão portuguesas e a tradição cristã e deglutiram a festa da roça e um cristianismo pagão (nossa, vou ser excomungada depois dessa). Internacionalmente o Brasil é reconhecido pelo Carnaval, mas acho que devemos nos reconhecer no São João. Ele tem a cara do nosso sincretismo religioso, tem jeito de festa em ode ao trabalho, tem gosto bom (de milho, de doce). É festa de quem não tem medo de ser cafona e nem faz força para esquecer o passado (para construir uma nação, reinterpretar o passado é fundamental). Além disso, enquanto Carnaval pára o país; as Festas Juninas movimentam a economia dos lugares que mais precisam.
Alguns críticos dizem que as Festas Juninas, sobretudo as das escolas, inferiorizam e estigmatizam o caipira (acho mesmo que a educação escolar acaba fazendo isso em vários momentos), mas não consigo deixar de me encantar com o aconchego e com a “malícia ingênua” dessas festas. Pra mim, é como se elas dissessem assim… olha a tristeza... É mentira!
Oh, sô! É bão dimais! Bons festejos juninos a todos.
(Érica Melanie)
Enquanto as festas de final de ano têm elementos de qualquer parte do mundo, uma cara comercial e uma “ressaca” anual, as festas juninas cumpriram o ritual antropofágico tão propagado pelos modernistas: engoliram as quadrilhas de salão portuguesas e a tradição cristã e deglutiram a festa da roça e um cristianismo pagão (nossa, vou ser excomungada depois dessa). Internacionalmente o Brasil é reconhecido pelo Carnaval, mas acho que devemos nos reconhecer no São João. Ele tem a cara do nosso sincretismo religioso, tem jeito de festa em ode ao trabalho, tem gosto bom (de milho, de doce). É festa de quem não tem medo de ser cafona e nem faz força para esquecer o passado (para construir uma nação, reinterpretar o passado é fundamental). Além disso, enquanto Carnaval pára o país; as Festas Juninas movimentam a economia dos lugares que mais precisam.
Alguns críticos dizem que as Festas Juninas, sobretudo as das escolas, inferiorizam e estigmatizam o caipira (acho mesmo que a educação escolar acaba fazendo isso em vários momentos), mas não consigo deixar de me encantar com o aconchego e com a “malícia ingênua” dessas festas. Pra mim, é como se elas dissessem assim… olha a tristeza... É mentira!
Oh, sô! É bão dimais! Bons festejos juninos a todos.
(Érica Melanie)
terça-feira, 31 de maio de 2011
VOTO NÃO SE COMPRA, SE CONQUISTA!

Galera, pra quem não sabe está na hora de mudar a direção do colegio LIGIA (Contagem). E venho através desta mostrar um ponto de vista para todos os alunos, pais ou responsáveis que pretendem votar. Primeiro queria deixar claro a importância do voto, cada voto fará toda a diferença no próximo domingo dia 05/06/2011, por tanto, não deixe de comparecer! Deixei claro essa semana através do meu twitter ( @RodrigodoHawaii ) a minha torcida pela chapa 2.

Acho que tudo na vida tem um porque, o porque do meu voto é bem simples, é urgente mudar a direção do colégio, a realidade do nosso colégio é bem dura. Dura no sentido de aula, aprendizado, recursos, etc... Precisamos de uma nova direção que fale uma linguagem que toque o coração dos alunos, funcionários e professores. Precisamos de um novo “Clima” no colégio. Disse no meu twitter que a palavra certa é HARMONIA! Pra quem trabalha o dia inteiro,(como eu) passamos mais tempo na escola do que em nossas casas, fazendo da sala de aula nosso LAR. Como vamos viver em um ambiente social em que a direção não interage com os alunos e próprios funcionários? A hora é de mudança! E é exatamente por isso que não votarei na chapa 1, pois vai ficar do jeitinho que está! A ideologia da chapa 1 é igual, é bem semelhante a da antiga chapa da ATUAL direção! Sem querer entrar muito na atual direção, pois na hora da troca de direção, a direção atual fica sendo igual jornal de ontem (jornal de ontem, noticias de antes de ontem), mas a verdade é que se a chapa 1 ganhar, vamos ter a mesma forma de coordenação. Uma escola morta, que não corre atrás de nenhum bem em pró do aluno, uma escola FECHADA para a comunidade no Fim de Semana! Gente, a escola é nossa, minha, sua, em fim da comunidade! E a atual direção não disponibiliza! É um dos itens inclusos na proposta da chapa 2.
A chapa 2 vem pra fazer uma mudança Radical, eu digo isso porque estou no dia a dia da chapa e sei das mudanças e da VONTADE DE TRABALHAR que o Giovanni, Valeria, Conceição e Claudinei tem. Uma vontade de transformar o “TEDIO em MELODIA”.
Outro ponto que queria frisar é a formatura, no meu ver formatura é um momento único na vida do aluno, são anos de estudo, anos de amizades, anos de CONVIVENCIA, não acho justo isso passar em branco, não acho justo todo esse esforço sendo comemorado com uma missa e pronto. A chapa 2 mesmo não tendo ganho (AINDA), já faz planos, projetos pra uma formatura digna. É isso que precisamos estar com o mingau pronto enquanto os outros selecionam o fubá!
Pra encerrar queria deixar claro minha frustração perante a um assunto que me deixou surpreso. Chegaram aos meus ouvidos que estão prometendo até MC DONALDS ao alunos do turno da manhã. Francamente, Voto não se compra, se conquista. Como querem conquistar o meu e o seu voto, comprando os de outros! Não dá pra confiar!
Por isso quero chapa 2 na direção, em busca de um ambiente melhor, não só pra mim, mas como pra familiares e comunidade!
Eu acredito que a chapa dois veio pra colocar o ambiente harmonioso!
Vi no ORKUT a galera falando que a chapa 2 vai transformar o colégio público, com ensino Particular! Gente, se isso acontecer vai ser ótimo, uma escola pública com o ensino de escola particular, vai ser ótimo pra quem quer ser alguém na vida! Vocês que discordam querem é farra e diversão, escola tem que ter diversão, mas tem gente que quer 100% diversão, então vai pro parque ou circo!
PROPOSTAS DA CHAPA 2 -
Justificativa:
Nosso projeto nasceu da necessidade de mudar as relações entre os vários atores que participam da construção da educação e de sua efetiva concretização em nossa escola.
Objetivo:
Nosso objetivo primordial é transformar as relações dentro da nossa escola. É dar voz aos professores, é valorizar o pessoal administrativo, é dinamizar a educação nas salas de aula e o mais importante, promover o aluno como cidadão, apto a buscar sua oportunidade no mercado.
Nossas propostas:
• Implementar uma política de OUVIR os membros da comunidade escolar. O diálogo será a principal plataforma de nossa administração, trazendo assim a certeza de que podemos construir uma escola mais justa e de acordo com os desejos de professores, funcionários, pais e alunos.
• Criar o Grêmio Estudantil como parte de uma política pedagógica centrada no crescimento intelectual, visando uma inserção ativa do aluno no meio escolar e, por conseguinte na sociedade (protagonismo juvenil).
• Promover palestras educativas para os alunos.
• Promover palestras dirigidas aos alunos do período noturno para que os mesmos possam, através de informações atuar, sentir-se estimulados a frequentar as aulas, percebendo que os conhecimentos adquiridos na escola serão necessários no mundo globalizado, onde as mudanças se fazem diariamente.
• Criar momentos que desperte nos alunos o espírito empreendedor, ferramenta tão importante na qualificação e nas exigências do mercado de trabalho (ver parceria SEBRAE).
• Apoiar o aluno desde o inicio do Ensino Médio para a realização de uma formatura condizente com sua importância na escola.
• Modernizar os meios de pesquisa na escola, ocasionando a inserção
tecnológica do aluno.
• Tornar a sala de informática acessível aos alunos e profissionais.
• Reestruturar a gincana e a feira cultural de conhecimento com a produção e escolha de tema pelos alunos/professores, estabelecendo uma programação sócio cultural interativa, motivadora, significativa, dinâmica e diversificada.
• Aprimorar trabalhos de campo (excursões, visitas a teatro, cinema, visitas técnicas e outras).
• Qualificar o intervalo (recreio), oferecendo música, informação e recreação (tarde).
• Estimular a participação e a frequência dos alunos no projeto de educação profissional — PEP (terminalização do Ensino Médio).
• Incentivar a participação ativa nas comemorações cívicas e sociais.
• Buscar melhoria para tornar o espaço físico mais agradável.
• Criar o jornal da escola com produção dos alunos.
• Criar um BLOG e uma página da internet para a divulgação das ações da escola.
• Abrir espaço para os alunos e professores ao final de semana com oficinas, jogos e organização de equipes esportivas para representar a escola nas competições escolares municipais e regionais.
• Lutar pela construção da cobertura da quadra poliesportiva.
• Montar o laboratório de pesquisa (Química, Matemática, Física e Biologia).
• Apoiar e incentivar a participação da escola em projetos e concursos educacionais.
•Informatizar as carteirinhas dos alunos (cartões magnéticos).
• Criar uma rede social integrando os vários atores envolvidos na educação (Comunidade, Escola, Posto de saúde, Faculdade, Associação de bairro, Conselho Tutelar, Polícia Militar, Secretaria de Educação e Superintendência de Ensino).
Vamos sair de casa no Domingo pra fazer a DIFERENÇA!

(Rodrigo Vieira)
terça-feira, 17 de maio de 2011
Indignação
Indigne-se, é só o que eu peço. Sei que a indignação sem a proposição de idéias e sem um conjunto de ações tem pouca chance de mudar a realidade (sobretudo no que tange às mazelas sociais historicamente constituídas). Mas, de qualquer forma, indignar-se é mover-se. É sair de si e, sobretudo, colocar-se no lugar do outro, seja esse outro um indivíduo ou um sujeito coletivo, um amigo ou um absoluto estranho. Quem se indigna, questiona a realidade. Ainda se incomoda e faz algo mais do que estar no mundo. A indignação é pulsante, nos deixa desconfortáveis e é no desconforto que buscamos outra posição.
Eu posso me comover com filmes românticos ou com catástrofes naturais (que muitas vezes nem tão naturais são). Mas devo me indignar quando vidas e dignidades são negadas (indignem-se com isso e não se comovam com as coberturas da imprensa sensacionalista).
Existe um discurso de culpabilização do governo pelos problemas sociais, mas a questão é que confundimos representatividade com delegação de poderes. Aí vira lamentação: o governo não isso… não aquilo… e nos esquecemos da nossa parcela. A sociedade civil tem a sua parcela de culpa em tudo, tudo mesmo! Quem votou? Quem não se indignou diante da corrupção? Questiono principalmente a emergente e complexada classe média, que fica infeliz com a dificuldade de encontrar quem queira ser doméstica (o) (ou escrava(o)?).
Nesse momento, minha indignação, que tantas vezes fora voltada para o governo e para os governantes, se vira para a sociedade civil.
Há algum tempo, a praça próxima à minha casa tem sido ocupada por moradores de rua. Os moradores do bairro, de classe média, se “indignaram”: mendigo suja a paisagem, desvaloriza o imóvel. Procuraram o poder público? Sim. Para que ele limpasse a praça. Não me lembro de promoverem uma discussão sobre a responsabilidade social do governo em relação àqueles sujeitos. O governo não limpou a praça (note: a praça é o importante). Aí alguém teve a “brilhante” idéia de envenenar, na calada da noite, os moradores da praça. Quem? Um pai de família, um comerciante de bem, um vizinho qualquer. Não minimizo os prejuízos e os incômodos dos moradores (lembre-se que moro no bairro). O que foi minimizado foram os valores desse sujeito: genocida, eugenista, bandido. Que valor damos à vida?
Quero, ainda, me indignar com a imprensa (me perdoem as exceções). Gentalha! Como não morreu ninguém (até o presente momento) a cobertura local é rápida e indolor (sem comoções). Na rede Globo, a notícia ficou espremida entre assaltos ao comércio local (matéria requentada) e a cobertura do clássico. Afinal, o que são mendigos (note-se: não seres humanos) diante do espetáculo do povo. Alguém se lembrará de algo depois?
Ninguém morreu! Então, não é chacina. Então, não é notícia. Então… só morreu a dignidade. Só! Banalizamos o mal, calamos os inocentes e não nos indignamos. Bem-vindos à barbárie!
Érica Melanie
Eu posso me comover com filmes românticos ou com catástrofes naturais (que muitas vezes nem tão naturais são). Mas devo me indignar quando vidas e dignidades são negadas (indignem-se com isso e não se comovam com as coberturas da imprensa sensacionalista).
Existe um discurso de culpabilização do governo pelos problemas sociais, mas a questão é que confundimos representatividade com delegação de poderes. Aí vira lamentação: o governo não isso… não aquilo… e nos esquecemos da nossa parcela. A sociedade civil tem a sua parcela de culpa em tudo, tudo mesmo! Quem votou? Quem não se indignou diante da corrupção? Questiono principalmente a emergente e complexada classe média, que fica infeliz com a dificuldade de encontrar quem queira ser doméstica (o) (ou escrava(o)?).
Nesse momento, minha indignação, que tantas vezes fora voltada para o governo e para os governantes, se vira para a sociedade civil.
Há algum tempo, a praça próxima à minha casa tem sido ocupada por moradores de rua. Os moradores do bairro, de classe média, se “indignaram”: mendigo suja a paisagem, desvaloriza o imóvel. Procuraram o poder público? Sim. Para que ele limpasse a praça. Não me lembro de promoverem uma discussão sobre a responsabilidade social do governo em relação àqueles sujeitos. O governo não limpou a praça (note: a praça é o importante). Aí alguém teve a “brilhante” idéia de envenenar, na calada da noite, os moradores da praça. Quem? Um pai de família, um comerciante de bem, um vizinho qualquer. Não minimizo os prejuízos e os incômodos dos moradores (lembre-se que moro no bairro). O que foi minimizado foram os valores desse sujeito: genocida, eugenista, bandido. Que valor damos à vida?
Quero, ainda, me indignar com a imprensa (me perdoem as exceções). Gentalha! Como não morreu ninguém (até o presente momento) a cobertura local é rápida e indolor (sem comoções). Na rede Globo, a notícia ficou espremida entre assaltos ao comércio local (matéria requentada) e a cobertura do clássico. Afinal, o que são mendigos (note-se: não seres humanos) diante do espetáculo do povo. Alguém se lembrará de algo depois?
Ninguém morreu! Então, não é chacina. Então, não é notícia. Então… só morreu a dignidade. Só! Banalizamos o mal, calamos os inocentes e não nos indignamos. Bem-vindos à barbárie!
Érica Melanie
sábado, 16 de abril de 2011
Voto consciente é importante?
A consciência de que você fez a coisa certa te da tranqüilidade para os próximos quatro anos que virão, mas como saber se fez uma boa escolha e que não vai se culpar caso o seu candidato chegue a te decepcionar? A culpa por não termos bons representantes não e deles totalmente, por isso a importância do voto consciente.
Quando depositamos a nossa confiança em quem estamos votando para que seja eleito, acreditamos que todas as sua propostas de trabalho colocadas em seu plano de governo serão efetivadas e que o melhor será feito para todos, colocando o bem comum como prioridade.
Mas para ter certeza de que o nosso candidato, caso eleito, cumpra com suas promessas feitas durante o período de candidatura, devemos pesquisar um pouco sobre a sua vida, saber em que ele já trabalhou ou trabalha, se já se envolveu em escândalos políticos, saber se ele já disputou algum cargo político, se tem alguma experiência administrativa, porque só assim podemos ter bons representantes a frente do nosso país, estado ou cidade. Com certeza, fazendo essa pesquisa, a sua tranqüilidade de que nos próximos quatro anos as suas propostas vão de fato vão acontecer, será bem maior.
O descaso que os eleitores tem com a política faz com que a desconscientização do voto aumente a cada quatro anos que se passa. O fato de não termos bons representantes piora esta situação, mas se déssemos a nos mesmos a chance de termos consciência do nosso voto, e estivéssemos seguros de que o que estamos fazendo será o melhor para todos, nossa política mudaria da água para o vinho, e essa mudança seria para melhor, em investimentos verdadeiros na educação, na saúde, no saneamento básico, na erradicação da pobreza, e para acabar com a exploração do trabalho infantil no Brasil. É os nossos representantes conscientizando seus representados da importância do voto consciente.
(Wesley)
Quando depositamos a nossa confiança em quem estamos votando para que seja eleito, acreditamos que todas as sua propostas de trabalho colocadas em seu plano de governo serão efetivadas e que o melhor será feito para todos, colocando o bem comum como prioridade.
Mas para ter certeza de que o nosso candidato, caso eleito, cumpra com suas promessas feitas durante o período de candidatura, devemos pesquisar um pouco sobre a sua vida, saber em que ele já trabalhou ou trabalha, se já se envolveu em escândalos políticos, saber se ele já disputou algum cargo político, se tem alguma experiência administrativa, porque só assim podemos ter bons representantes a frente do nosso país, estado ou cidade. Com certeza, fazendo essa pesquisa, a sua tranqüilidade de que nos próximos quatro anos as suas propostas vão de fato vão acontecer, será bem maior.
O descaso que os eleitores tem com a política faz com que a desconscientização do voto aumente a cada quatro anos que se passa. O fato de não termos bons representantes piora esta situação, mas se déssemos a nos mesmos a chance de termos consciência do nosso voto, e estivéssemos seguros de que o que estamos fazendo será o melhor para todos, nossa política mudaria da água para o vinho, e essa mudança seria para melhor, em investimentos verdadeiros na educação, na saúde, no saneamento básico, na erradicação da pobreza, e para acabar com a exploração do trabalho infantil no Brasil. É os nossos representantes conscientizando seus representados da importância do voto consciente.
(Wesley)
O trabalho infantil no Brasil e no mundo
A cada ano que se passa vem tendo um aumento siguinficativo o emprego da mão de obra de crianças em todo mundo, quando deveria ser ao contrario, cada vez mais o capitalismo vem fazendo com que as crianças se vejam obrigadas a entrar no mercado de trabalho enquanto na verdade deveriam estar estudando brincando se divertindo e sendo criança, isso acontece principalmente nas áreas rurais para não poderem passar fome e ajudar em casa, e è aonde a mão de obra infantil e nitidamente explorada, e trabalham em condições sub-humanas, nos centros urbanos á exploração, mas se comparado aos áreas rurais o numero e bem pequeno, e o grande problema disso tudo e que o governo não faz nada para que isso possa mudar.
Vê crianças em centros urbanos vendendo balas nos ônibus, nos sinais, trabalhando de engraxate, vendendo drogas, mendigando, limpando para-brisas que são os chamados flanelinhas, fazendo malabarismo enquanto os sinais se fecham já se tornou comum, mas ainda sim nas áreas rurais a situação e um pouco pior porque as crianças trabalham quebrando pedras, em carvoarias, colhendo algodão, cortando cana e em condições sub- humanas, porque elas não recebem nem um salário mínimo, elas se machucam e se vêem obrigadas a trabalhar mesmo estando machucadas para não poder deixar de ajudar em casa porque o pouco que ganham já ajuda, como são muitos irmãos e todos trabalhando conseguem juntar uma quantia ainda muito pequena mas o suficiente para não deixar faltar o alimento na mesa.
O que os representantes do Brasil deveriam fazer para que o pais crescesse socialmente igual seria acabar com essa exploração do trabalho infantil dando condições para que os pais e as mães dessas famílias tivessem um trabalho digno, para que ganhassem um salário mínimo e todos os benefícios que o governo tem dado como bolsa família, bolsa escola, vale gás, entre outros, e com isso seus filhos pudessem ser crianças indo a escola, estudando, brincando, fazendo bagunça, se machucar ser criança e viver como criança, ao invés de ficarem se preocupando quando chegar o amanhecer se elas vão trabalhar ou vão a escola se vão ter o que comer no café da manha, ou se quando chegar a hora do almoço elas vão ter o que comer porque deixaram de trabalhar para poder ir a escola, criança tem que ser criança essa e uma fase que jamais deveria ser vivida de outra maneira se não vivendo como criança, porque quando somos criança queremos crescer logo trabalhar, mas quando chegamos lá queremos voltar a ser criança porque e muito bom ser criança e viver como criança.
Esse seria um grande passo para um verdadeiro crescimento no Brasil, isso teria um siguinificado muito maior do que aumentar o salário mínimo de verdade, do que super aquecer o mercado de trabalho, do que fazer mais escolas técnicas, do que fazer universidades federais, do que qualquer outro feito que os nossos representantes pederiam fazer, nada chegaria perto da grandeza de se acabar com o trabalho infantil no Brasil, se isso acontecesse o Brasil seria um exemplo lá fora para que outros países seguissem o mesmo e quem sabe poderia conseguir acabar com o trabalho infantil no mundo, ai sim seria um grande passo para começar uma igualdade social e um desenvolvimento por completo.
(Wesley)
Vê crianças em centros urbanos vendendo balas nos ônibus, nos sinais, trabalhando de engraxate, vendendo drogas, mendigando, limpando para-brisas que são os chamados flanelinhas, fazendo malabarismo enquanto os sinais se fecham já se tornou comum, mas ainda sim nas áreas rurais a situação e um pouco pior porque as crianças trabalham quebrando pedras, em carvoarias, colhendo algodão, cortando cana e em condições sub- humanas, porque elas não recebem nem um salário mínimo, elas se machucam e se vêem obrigadas a trabalhar mesmo estando machucadas para não poder deixar de ajudar em casa porque o pouco que ganham já ajuda, como são muitos irmãos e todos trabalhando conseguem juntar uma quantia ainda muito pequena mas o suficiente para não deixar faltar o alimento na mesa.
O que os representantes do Brasil deveriam fazer para que o pais crescesse socialmente igual seria acabar com essa exploração do trabalho infantil dando condições para que os pais e as mães dessas famílias tivessem um trabalho digno, para que ganhassem um salário mínimo e todos os benefícios que o governo tem dado como bolsa família, bolsa escola, vale gás, entre outros, e com isso seus filhos pudessem ser crianças indo a escola, estudando, brincando, fazendo bagunça, se machucar ser criança e viver como criança, ao invés de ficarem se preocupando quando chegar o amanhecer se elas vão trabalhar ou vão a escola se vão ter o que comer no café da manha, ou se quando chegar a hora do almoço elas vão ter o que comer porque deixaram de trabalhar para poder ir a escola, criança tem que ser criança essa e uma fase que jamais deveria ser vivida de outra maneira se não vivendo como criança, porque quando somos criança queremos crescer logo trabalhar, mas quando chegamos lá queremos voltar a ser criança porque e muito bom ser criança e viver como criança.
Esse seria um grande passo para um verdadeiro crescimento no Brasil, isso teria um siguinificado muito maior do que aumentar o salário mínimo de verdade, do que super aquecer o mercado de trabalho, do que fazer mais escolas técnicas, do que fazer universidades federais, do que qualquer outro feito que os nossos representantes pederiam fazer, nada chegaria perto da grandeza de se acabar com o trabalho infantil no Brasil, se isso acontecesse o Brasil seria um exemplo lá fora para que outros países seguissem o mesmo e quem sabe poderia conseguir acabar com o trabalho infantil no mundo, ai sim seria um grande passo para começar uma igualdade social e um desenvolvimento por completo.
(Wesley)
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Os novos tempos das biografias
Pessoal, corromperam a função comunicativa de um gênero literário! Até onde eu sei (devo reconhecer que esta não é minha especialidade), biografias são obras que visam trazer a público aspectos importantes sobre vidas relevantes.
Sou de uma época (não tão distante assim) na qual para se fazer jus a uma biografia, uma pessoa deveria ter impactado, bem ou mal, uma sociedade, uma época e quiçá a humanidade. Além de uma vida singular, o candidato a biografado deveria fornecer muitos elementos para preencher centenas de páginas Assim, pressupõe-se que a pessoa deveria ter vivido bastante tempo ou que tivesse tido uma trajetória bastante singular.
Como função literária, se assim posso dizer, a biografia podia encantar, chocar, abrir perspectivas, criar heróis ou destroná-los. Da parte dos biografados, se exigia certo desprendimento, seja da vida, no caso das biografias post mortem ou do orgulho, no caso das biografias não autorizadas. No caso específico das autobiografias, se por um lado, havia um registro de vaidade, por outro se tinha uma análise profunda e emotiva.
Bem, assim eram as biografias. Recentemente acompanhei, não sem certo espanto (sim, eu ainda me espanto) o lançamento de biografias de celebridades instantâneas ou de personalidades ainda muito jovens, com muito que fazer da vida ainda. Após o lançamento da biografia de Obama (tá bom, ele é presidente dos Estados Unidos e recebeu o Nobel da Paz), tivemos um astro pop que recentemente assumiu a homossexualidade (alguém duvidava?) narrando as suas memórias e uma jovem que ficou famosa por usar um microvestido rosa na faculdade contando tudo sobre… o quê mesmo? E não para por aí! O jovem Justin Bieber (quantos anos ele tem mesmo? 16?) também teve uma biografia publicada recentemente. Poderia citar, ainda, o cantor sertanejo Luan Santana e o cantor-filho Fiuk, ambos com menos de 20 anos e… biografados. Com todo respeito, o que têm de tão importante para contar jovens tão jovens que precisem publicar uma biografia. Será que um blog ou outra mídia não seriam o suficiente para manterem informadas as fãs dos rapazotes.
O mercado editorial das biografias parece que foi contaminado pelo mal do efêmero: fofocas e curiosidades em doses homeopáticas. Para os que gostam do gênero, alguns bálsamos estão no mercado: ótimas biografias de Lobão e Chico Xavier.
Aguardem! Em breve, a minha!
(Érica Melanie)
Sou de uma época (não tão distante assim) na qual para se fazer jus a uma biografia, uma pessoa deveria ter impactado, bem ou mal, uma sociedade, uma época e quiçá a humanidade. Além de uma vida singular, o candidato a biografado deveria fornecer muitos elementos para preencher centenas de páginas Assim, pressupõe-se que a pessoa deveria ter vivido bastante tempo ou que tivesse tido uma trajetória bastante singular.
Como função literária, se assim posso dizer, a biografia podia encantar, chocar, abrir perspectivas, criar heróis ou destroná-los. Da parte dos biografados, se exigia certo desprendimento, seja da vida, no caso das biografias post mortem ou do orgulho, no caso das biografias não autorizadas. No caso específico das autobiografias, se por um lado, havia um registro de vaidade, por outro se tinha uma análise profunda e emotiva.
Bem, assim eram as biografias. Recentemente acompanhei, não sem certo espanto (sim, eu ainda me espanto) o lançamento de biografias de celebridades instantâneas ou de personalidades ainda muito jovens, com muito que fazer da vida ainda. Após o lançamento da biografia de Obama (tá bom, ele é presidente dos Estados Unidos e recebeu o Nobel da Paz), tivemos um astro pop que recentemente assumiu a homossexualidade (alguém duvidava?) narrando as suas memórias e uma jovem que ficou famosa por usar um microvestido rosa na faculdade contando tudo sobre… o quê mesmo? E não para por aí! O jovem Justin Bieber (quantos anos ele tem mesmo? 16?) também teve uma biografia publicada recentemente. Poderia citar, ainda, o cantor sertanejo Luan Santana e o cantor-filho Fiuk, ambos com menos de 20 anos e… biografados. Com todo respeito, o que têm de tão importante para contar jovens tão jovens que precisem publicar uma biografia. Será que um blog ou outra mídia não seriam o suficiente para manterem informadas as fãs dos rapazotes.
O mercado editorial das biografias parece que foi contaminado pelo mal do efêmero: fofocas e curiosidades em doses homeopáticas. Para os que gostam do gênero, alguns bálsamos estão no mercado: ótimas biografias de Lobão e Chico Xavier.
Aguardem! Em breve, a minha!
(Érica Melanie)
domingo, 16 de janeiro de 2011
A diferença entre a defesa de direitos e a hipocrisia do “politicamente correto”
Eu sou, inegavelmente, uma apologista da beleza da diversidade e defensora do direito à diferença. Desde que me entendo por gente (e isso já faz muito tempo) defendo idéias que só muito mais tarde fiquei sabendo que poderiam ser identificadas com as discussões sobre inclusão, diversidade e multiculturalismo. O que eu sempre soube, em alguns aspectos intuitivamente, em outros por ter tido a sorte de ser criada em uma família na qual a “normalidade” nunca foi regra, foi que as pessoas têm o direito de serem diferentes e, sobretudo, de serem respeitadas nessa diferença. A raça, a religião, a orientação sexual, a identidade de gênero fazem parte da nossa identidade, mas não nos definem por si só, não nos limitam. A Érica é mais do que uma mulher, heterossexual, branca e não é melhor nem pior do que um homem, homossexual, negro.
Por convicção e formação, me julgo uma pessoa defensora da diversidade. Um dos motivos pelos quais eu fiz História é porque essa é uma ciência que ao mesmo tempo em que nos coloca em contato com a alteridade (com a diferença cultural e temporal), nos proporciona um exercício de empatia (de se colocar no lugar do outro). Depois, ainda fiz uma especialização sobre inclusão (com ênfase em gênero e sexualidade) e um mestrado no qual eu me dedicava a entender uma medida inclusiva acerca das populações afro-descendentes. Assim, no plano acadêmico e nas minhas ações cotidianas, luto pelo combate a qualquer forma de discriminação. Sou a primeira a defender a divulgação das diversas matrizes culturais nas escolas, eliminando a hegemonia eurocêntrica. Quem disse que só existem princesas brancas? Por que só achamos bonitas as bonecas louras? Por que não há nas novelas e nas passarelas mulheres como as mulheres reais? Isso é fato. Se indignar com as manifestações homofóbicas que temos assistido nos telejornais é imperativo, mas lutar pelo direito a diferença é bem diferente de fazer uma reforma vocabular ou ter um surto do politicamente correto.
Eu entendo quando os Movimentos Negros lutam conta o uso de palavras depreciativas para se referir ao cabelo crespo ou quando o movimento de inclusão de pessoas com deficiência exige que a mídia não os trate como aleijados ou “portadores de deficiência”, mas, peraí, segurem os paranóicos. Sim, a palavra tem força. Mas também não é a força supra-humana. Agora, os clássicos da literatura, o folclore e até as conversas de boteco estão sendo satanizadas pelos puristas do politicamente correto. Já sugeriram uma “censura prévia” a determinados trechos de Monteiro Lobato, considerados racistas. Monteiro Lobato foi um homem de seu tempo e deve ser entendido como tal, sua obra não deve ser banida, nem tão pouca tida como um manual, a sua leitura é que deve ser ampliada e renovada.
Bem, destruir as cantigas populares também não nos faz mais cosmopolitas e liberais, talvez apenas mais chatos. Li recentemente um texto bastante interessante do historiador Luis Antônio Simas, no qual ele relata que em certas escolas infantis já não se canta mãos “O Cravo Brigou Com A Rosa”, pois seria uma apologia à violência doméstica. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa / debaixo de uma sacada / o cravo ficou feliz / e a rosa ficou encantada". Destruíram Villa Lobos!
O assassínio na cultura popular passa ainda pela eliminação de “Atirei o pau no gato” (pois incitaria maus tratos a animais) e a abolição de “pobre de marre-de-si” (pois cria sentido de desigualdade social). Alguém já pensou em problematizar com as crianças (sim, crianças pensam!) ao invés de achar que elas são apenas esponjas.
Segundo o historiador acima mencionado, “o politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem”. Em boa medida, concordo com ele. Chamar “velhice” de “melhor idade” não faz com que respeitemos mais os idosos ou que o Estatuto do Idoso seja cumprido. Brincar com as nossas limitações e diferenças pode ser saudável desde que acompanhadas de discussões. Em tempos que o bullying cresce e se reinventa nas escolas e em outras instituições, não adianta limitarmos os apelidos, se de fato não melhorarmos as reflexões. Afinal, “pouca telha”, “pintor de rodapé”, “quatro olho”, “rolha de poço”, ou seja lá quem você for, você é muito mais que isso.
(Érica Melanie)
Por convicção e formação, me julgo uma pessoa defensora da diversidade. Um dos motivos pelos quais eu fiz História é porque essa é uma ciência que ao mesmo tempo em que nos coloca em contato com a alteridade (com a diferença cultural e temporal), nos proporciona um exercício de empatia (de se colocar no lugar do outro). Depois, ainda fiz uma especialização sobre inclusão (com ênfase em gênero e sexualidade) e um mestrado no qual eu me dedicava a entender uma medida inclusiva acerca das populações afro-descendentes. Assim, no plano acadêmico e nas minhas ações cotidianas, luto pelo combate a qualquer forma de discriminação. Sou a primeira a defender a divulgação das diversas matrizes culturais nas escolas, eliminando a hegemonia eurocêntrica. Quem disse que só existem princesas brancas? Por que só achamos bonitas as bonecas louras? Por que não há nas novelas e nas passarelas mulheres como as mulheres reais? Isso é fato. Se indignar com as manifestações homofóbicas que temos assistido nos telejornais é imperativo, mas lutar pelo direito a diferença é bem diferente de fazer uma reforma vocabular ou ter um surto do politicamente correto.
Eu entendo quando os Movimentos Negros lutam conta o uso de palavras depreciativas para se referir ao cabelo crespo ou quando o movimento de inclusão de pessoas com deficiência exige que a mídia não os trate como aleijados ou “portadores de deficiência”, mas, peraí, segurem os paranóicos. Sim, a palavra tem força. Mas também não é a força supra-humana. Agora, os clássicos da literatura, o folclore e até as conversas de boteco estão sendo satanizadas pelos puristas do politicamente correto. Já sugeriram uma “censura prévia” a determinados trechos de Monteiro Lobato, considerados racistas. Monteiro Lobato foi um homem de seu tempo e deve ser entendido como tal, sua obra não deve ser banida, nem tão pouca tida como um manual, a sua leitura é que deve ser ampliada e renovada.
Bem, destruir as cantigas populares também não nos faz mais cosmopolitas e liberais, talvez apenas mais chatos. Li recentemente um texto bastante interessante do historiador Luis Antônio Simas, no qual ele relata que em certas escolas infantis já não se canta mãos “O Cravo Brigou Com A Rosa”, pois seria uma apologia à violência doméstica. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa / debaixo de uma sacada / o cravo ficou feliz / e a rosa ficou encantada". Destruíram Villa Lobos!
O assassínio na cultura popular passa ainda pela eliminação de “Atirei o pau no gato” (pois incitaria maus tratos a animais) e a abolição de “pobre de marre-de-si” (pois cria sentido de desigualdade social). Alguém já pensou em problematizar com as crianças (sim, crianças pensam!) ao invés de achar que elas são apenas esponjas.
Segundo o historiador acima mencionado, “o politicamente correto é a sepultura do bom humor, da criatividade, da boa sacanagem”. Em boa medida, concordo com ele. Chamar “velhice” de “melhor idade” não faz com que respeitemos mais os idosos ou que o Estatuto do Idoso seja cumprido. Brincar com as nossas limitações e diferenças pode ser saudável desde que acompanhadas de discussões. Em tempos que o bullying cresce e se reinventa nas escolas e em outras instituições, não adianta limitarmos os apelidos, se de fato não melhorarmos as reflexões. Afinal, “pouca telha”, “pintor de rodapé”, “quatro olho”, “rolha de poço”, ou seja lá quem você for, você é muito mais que isso.
(Érica Melanie)
sábado, 16 de outubro de 2010
Tiriricas e afins, mais peculiaridades da democracia brasileira.
Dia seguinte às eleições de 03 de outubro. Todos de ressaca eleitoral (apesar da “Lei Seca”). O saldo: ruas sujas pelos cabos eleitorais à espera de um eleitor indeciso que se sujeitasse a catar um “santinho” e resultados mais que ligeiros, em virtude da alta tecnologia adotada nas eleições (menos de 24 h depois do término da votação até os votos das urnas mais longínquas já haviam sido apurados). A população (e eu me incluo) rapidamente teve acesso aos resultados de quem seriam seus novos representantes no legislativo nacional e estadual (senadores, deputados federais e deputados estaduais). Já sabemos também que teremos segundo nas eleições presidenciais. Isso, em princípio, é positivo para a democracia brasileira. Afinal, tem-se mais tempo para que os candidatos possam discutir suas propostas e esses passam a ter o mesmo tempo na propaganda eleitoral gratuita, possibilitando um cenário mais claro para os eleitores. Se isso de fato ocorreu (escrevo este texto em pleno calor do debate político do 2º turno), prefiro comentar mais adiante.
Agora, gostaria de tecer algumas observações sobre o grande fenômeno eleitoral deste ano: a eleição do palhaço Tiririca. Fenômeno tanto em função do número de votos que este recebeu, quanto em termos de mobilização que provocou nas rodas de conversa, pois esse era, sem dúvida, o assunto mais recorrente no dia seguinte à votação. Para mim, foi ótimo. Um pretexto para discutir em sala de aula temas ignorados no debate eleitoral atual, como a reforma política e a reforma eleitoral.
Vi, ouvi e li muitas manifestações de repúdio à candidatura (e eleição) do palhaço Tiririca. Algumas pessoas chegavam a propor mecanismos que impedissem que ex-jogadores de futebol, “mulheres frutas” e outras personagens excêntricas se candidatassem a cargos eletivos. Bem, vamos por partes. Primeiro, impedir candidaturas de figuras populares atenta contra o princípio de liberdade de expressão, elemento fundamental da democracia. Além disso, esse argumento parte do princípio que o eleitor tem que ser tutelado e vigiado. Outro problema de afirmações como essas é que elas têm uma base elitista: médicos, advogados, professores, militares podem se candidatar, mas artistas populares, palhaços, pessoas comuns, não. O grande problema disso é o uso político de que os partidos fazem da popularidade de pessoas como essas, aproveitando-se de brechas do nosso sistema eleitoral.
Enquanto as pessoas discutiam a eleição do palhaço Tiririca, outros temas permaneceram obscuros no debate eleitoral. A eleição do Tiririca não é mais estranha do que o fato de Weslian Roriz,esposa de um candidato “ficha suja”, substituir o mesmo às vésperas das eleições e ainda conseguir ir para o 2º turno. Também não é mais estranha do que a eleição de certos “tubarões” da política nacional. Entendo o voto no palhaço Tiririca, e outros tantos, como um voto de protesto e como descrédito da população nas instituições legislativas. Não acredito que essa seja a melhor forma de protesto, mas entendo.
O pior de tudo é que o Tiririca (ou os seus marqueteiros) parece ter razão. As pessoas não sabem o que faz um deputado e nem as implicações de se votar em qualquer um por protesto. No sistema eleitoral brasileiro, no que se refere aos cargos de vereador, deputado estadual e deputado federal, quanto mais votos um partido receber, mas vagas ele terá nas casas legislativas. Figuras conhecidas trazem a reboque milhares de votos e não só podem se eleger, como carregam consigo outros candidatos do partido.
Muitos discutem a vitória do Tiririca, poucos discutem a reforma nesse sistema. Muitos discutem a aberração da candidatura da “mulher fruta”, ninguém questiona que em pleno segundo turno não se discutem os grandes temas para o Estado brasileiro: reforma tributária, reforma política, reforma previdenciária etc. Ainda se faz uso, nas campanhas, da “demonização” de candidatos, de comparações entre governos sem nenhuma base científica (Lula e FHC são candidatos?) e de temas polêmicos (sem contudo fazer-se um debate aprofundado) e, tudo isso, sem de fato levar em consideração que a função do presidente não é fazer do Estado uma extensão de suas vontades ou seus valores e que fazer leis é função do poder legislativo, sempre observado de perto pela população.
(Érica Melanie)
Agora, gostaria de tecer algumas observações sobre o grande fenômeno eleitoral deste ano: a eleição do palhaço Tiririca. Fenômeno tanto em função do número de votos que este recebeu, quanto em termos de mobilização que provocou nas rodas de conversa, pois esse era, sem dúvida, o assunto mais recorrente no dia seguinte à votação. Para mim, foi ótimo. Um pretexto para discutir em sala de aula temas ignorados no debate eleitoral atual, como a reforma política e a reforma eleitoral.
Vi, ouvi e li muitas manifestações de repúdio à candidatura (e eleição) do palhaço Tiririca. Algumas pessoas chegavam a propor mecanismos que impedissem que ex-jogadores de futebol, “mulheres frutas” e outras personagens excêntricas se candidatassem a cargos eletivos. Bem, vamos por partes. Primeiro, impedir candidaturas de figuras populares atenta contra o princípio de liberdade de expressão, elemento fundamental da democracia. Além disso, esse argumento parte do princípio que o eleitor tem que ser tutelado e vigiado. Outro problema de afirmações como essas é que elas têm uma base elitista: médicos, advogados, professores, militares podem se candidatar, mas artistas populares, palhaços, pessoas comuns, não. O grande problema disso é o uso político de que os partidos fazem da popularidade de pessoas como essas, aproveitando-se de brechas do nosso sistema eleitoral.
Enquanto as pessoas discutiam a eleição do palhaço Tiririca, outros temas permaneceram obscuros no debate eleitoral. A eleição do Tiririca não é mais estranha do que o fato de Weslian Roriz,esposa de um candidato “ficha suja”, substituir o mesmo às vésperas das eleições e ainda conseguir ir para o 2º turno. Também não é mais estranha do que a eleição de certos “tubarões” da política nacional. Entendo o voto no palhaço Tiririca, e outros tantos, como um voto de protesto e como descrédito da população nas instituições legislativas. Não acredito que essa seja a melhor forma de protesto, mas entendo.
O pior de tudo é que o Tiririca (ou os seus marqueteiros) parece ter razão. As pessoas não sabem o que faz um deputado e nem as implicações de se votar em qualquer um por protesto. No sistema eleitoral brasileiro, no que se refere aos cargos de vereador, deputado estadual e deputado federal, quanto mais votos um partido receber, mas vagas ele terá nas casas legislativas. Figuras conhecidas trazem a reboque milhares de votos e não só podem se eleger, como carregam consigo outros candidatos do partido.
Muitos discutem a vitória do Tiririca, poucos discutem a reforma nesse sistema. Muitos discutem a aberração da candidatura da “mulher fruta”, ninguém questiona que em pleno segundo turno não se discutem os grandes temas para o Estado brasileiro: reforma tributária, reforma política, reforma previdenciária etc. Ainda se faz uso, nas campanhas, da “demonização” de candidatos, de comparações entre governos sem nenhuma base científica (Lula e FHC são candidatos?) e de temas polêmicos (sem contudo fazer-se um debate aprofundado) e, tudo isso, sem de fato levar em consideração que a função do presidente não é fazer do Estado uma extensão de suas vontades ou seus valores e que fazer leis é função do poder legislativo, sempre observado de perto pela população.
(Érica Melanie)
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Deixa a mulher falar, presidente!
Escrevo este artigo de opinião às vésperas do 1º turno da eleição presidencial de 2010. A primeira, desde o restabelecimento das eleições diretas, na qual Lula não participa, ao menos não como candidato. O presidente tem atuado efetivamente na campanha de sua ex-ministra Dilma Hussef e mais que isso, pode se dizer que ele construiu efetivamente a candidatura de Dilma, uma vez que ela, há mais de dois anos, foi apontada por Lula como a melhor opção do PT para a sua sucessão. Desde então, o presidente tratou de aparecer com a sua “favoritíssima” em todos os eventos oficiais da presidência, de forma a vincular a figura não tão carismática de Dilma à sua própria popularidade.
Popularidade essa que, por si só, é um fenômeno. Atinge índices tão altos como os de algumas ditaduras (a diferença é que os dados em ditaduras são descaradamente manipulados). Apesar da minha simpatia pela trajetória de Lula, isso me preocupa. Afinal, a unanimidade é mesmo burra. É sempre fruto da falta de reflexão, sobretudo na política. A situação é tão estranha que nem mesmo a oposição (a não ser os partidos “nanicos” de esquerda) ousa atacar diretamente Lula ou a seu governo: acusa-se o partido e a figura de Dilma, mas não o Lula. Alguns chegam mesmo a se apresentar como continuadores do trabalho de Lula.
Isso tudo me incomoda. Mas tem algo que mexe comigo ainda mais. As pesquisas realizadas pelos principais institutos do país apontam Dilma como favorita, com possibilidades reais de ganhar ainda em primeiro turno. É a primeira vez na história do Brasil que a possibilidade de termos uma presidente do sexo feminino é iminente (é preciso destacar que a terceira colocada no pleito é também uma mulher). Mas o que, de fato, representa a possível eleição de Dilma para o Brasil e, sobretudo, para as mulheres brasileiras? No princípio da campanha, percebemos a associação da imagem de Dilma à figura da mãe “a mãe do Brasil”, o que me parece um jeito velho, ou melhor, ultrapassado de se fazer política. As mudanças nas roupas e também no gestual da candidata são visíveis. Tudo orquestrado para dar a ela um ar feminino (como se houvesse uma única maneira de ser mulher). A Dilma, considerada mulher de pulso forte, administradora determinada e até arrogante desapareceu na campanha. Será que é apenas um marketing político ou indica um papel de subserviência de Dilma em relação à Lula?
Na campanha, Lula aparece mais que Dilma e esta defende cegamente o seu padrinho político. No recente escândalo sobre a quebra do sigilo das Declarações de Imposto de Renda de pessoas ligadas a Serra, Lula é que veio à cena defender a Dilma, dizer que “atacá-la” é atacar a mulher brasileira. Pera aí! Eu, uma da muitas possibilidades de mulher brasileira, acho que atacar a mulher brasileira é calá-la e impedir que ela exponha os seus argumentos. Queremos ouvir a Dilma, a candidata e talvez futura presidenta. Não quero uma governante tão apagada como a figura da atual primeira dama. Porque será que o Lula não deixa suas mulheres falarem?
(Érica Melanie)
Popularidade essa que, por si só, é um fenômeno. Atinge índices tão altos como os de algumas ditaduras (a diferença é que os dados em ditaduras são descaradamente manipulados). Apesar da minha simpatia pela trajetória de Lula, isso me preocupa. Afinal, a unanimidade é mesmo burra. É sempre fruto da falta de reflexão, sobretudo na política. A situação é tão estranha que nem mesmo a oposição (a não ser os partidos “nanicos” de esquerda) ousa atacar diretamente Lula ou a seu governo: acusa-se o partido e a figura de Dilma, mas não o Lula. Alguns chegam mesmo a se apresentar como continuadores do trabalho de Lula.
Isso tudo me incomoda. Mas tem algo que mexe comigo ainda mais. As pesquisas realizadas pelos principais institutos do país apontam Dilma como favorita, com possibilidades reais de ganhar ainda em primeiro turno. É a primeira vez na história do Brasil que a possibilidade de termos uma presidente do sexo feminino é iminente (é preciso destacar que a terceira colocada no pleito é também uma mulher). Mas o que, de fato, representa a possível eleição de Dilma para o Brasil e, sobretudo, para as mulheres brasileiras? No princípio da campanha, percebemos a associação da imagem de Dilma à figura da mãe “a mãe do Brasil”, o que me parece um jeito velho, ou melhor, ultrapassado de se fazer política. As mudanças nas roupas e também no gestual da candidata são visíveis. Tudo orquestrado para dar a ela um ar feminino (como se houvesse uma única maneira de ser mulher). A Dilma, considerada mulher de pulso forte, administradora determinada e até arrogante desapareceu na campanha. Será que é apenas um marketing político ou indica um papel de subserviência de Dilma em relação à Lula?
Na campanha, Lula aparece mais que Dilma e esta defende cegamente o seu padrinho político. No recente escândalo sobre a quebra do sigilo das Declarações de Imposto de Renda de pessoas ligadas a Serra, Lula é que veio à cena defender a Dilma, dizer que “atacá-la” é atacar a mulher brasileira. Pera aí! Eu, uma da muitas possibilidades de mulher brasileira, acho que atacar a mulher brasileira é calá-la e impedir que ela exponha os seus argumentos. Queremos ouvir a Dilma, a candidata e talvez futura presidenta. Não quero uma governante tão apagada como a figura da atual primeira dama. Porque será que o Lula não deixa suas mulheres falarem?
(Érica Melanie)
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