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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Qual o significado histórico (ou quais os significados históricos) do 13 de maio?

A assinatura da Lei Áurea de 13 de maio de 1988, que extinguiu a escravidão negra no Brasil (a escravidão indígena já havia sido proibida no século em 1755 na administração de Marquês de Pombal), pode ser entendida como desfecho de um processo abolicionista que começou muito antes.
Durante os séculos de escravidão no Brasil vários políticos, intelectuais e religiosos se posicionaram contra a escravidão (embora a Igreja Católica, na maior parte do tempo, não tenha se manifestado publicamente contra a escravização de negros).
Muitos movimentos e rebeliões durante os períodos colonial e imperial também questionaram, em algum momento, a escravidão como: a Conjuração Baiana (1798), a Confederação do Equador (1824) e a Revolta dos Malês (1835).


(Documento de compra e venda de escravos)
Os próprios negros escravizados, apesar das difíceis condições em que viviam, criaram várias formas de lutar e resistir à escravidão, uma das mais significativas e comentadas foram as fugas para quilombos, que eram povoados/ comunidades formadas por escravos fugidos (negros e indígenas) e outros pessoas que precisavam de abrigo.
Após a Independência do Brasil a crítica à escravidão por parte de políticos, intelectuais e artistas (alguns negros) aumentou. Alguns questionavam a escravidão por questões morais, outros indicavam que a escravidão mostrava o atraso da economia brasileira (a maioria dos países do ocidente já havia extinguido formalmente a escravidão).
Uma série de leis abolicionistas foi aprovada ao longo do século XIX:
- Lei Eusébio de Queirós (1850), que extinguia o Tráfico Atlântico de escravos;
- Lei do Ventre Livre (1871), que declarava livre os filhos de mulher escrava nascidos desde a data da lei;
- Lei do Sararaiva-Cotegibe ou Lei dos Sexagenários (1885), garantia liberdade aos escravos com mais de 60 anos de idade.
Esse conjunto de leis, a intensificação da fuga para os quilombos durante as últimas décadas do século XIX e o apoio à causa abolicionista de nomes importantes como Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, José do Patrocínio e Castro Alves fez com a abolição se tornasse quase inevitável na década de 1880.
Em 13 de maio de 1888, o governo imperial rendeu-se às pressões e a princesa Isabel de Bragança assinou a lei Áurea, que extinguiu a escravidão no Brasil. A decisão desagradou aos fazendeiros, que exigiam indenizações pela perda de "seus bens". Como não as conseguiram, aderiram ao movimento republicano.
O fim da escravatura, porém, não melhorou a condição social e econômica dos ex-escravos. Sem formação escolar ou uma profissão definida, para a maioria deles a simples emancipação jurídica não mudou sua condição subalterna nem ajudou a promover sua cidadania ou ascensão social. Ainda hoje, a população negra no Brasil luta pelo fim do racismo (uma “herança” da escravidão no Brasil) e por direitos iguais.
Assim, a libertação dos escravos negros no Brasil em 13 de maio de 1888 não deve ser lembrada como um “ato de bondade” da princesa Isabel, nem como um ato isolado. Ela fez parte de um conjunto de lutas pelo abolicionismo e deve ser lembrada como mais um momento das lutas da população afrodescendente no Brasil. Lembrar o 13 de maio é lembrar-se dessas lutas e se comprometer com o combate ao racismo e a todas as formas de discriminação.


(Reparem como o texto da lei é simples e não oferece nenhuma "compensação" aos ex-escravos:
"Declara extinta a escravidão no Brasil:
A Princesa Imperial Regente, em nome de Sua Majestade o Imperador, o Senhor D. Pedro II, faz saber a todos os súditos do Império que a Assembleia Geral decretou e ela sancionou a lei seguinte:
Art. 1.º: É declarada extinta desde a data desta lei a escravidão no Brasil.
Art. 2.º: Revogam-se as disposições em contrário.")


Bom, sugiro aos/às estudantes da E. M. Albertina Alves do Nascimento que comentem o texto e contribuam para explicar alguns termos e leis que aparecem no texto. Que tal pesquisar e comentar mais sobre as leis abolicionistas? Ou fazer uma pequena biografia de algum dos abolicionistas? Ou, então, falar sobre um quilombo? Bom trabalho…

quinta-feira, 22 de março de 2012

ESCOLAS DO BRASIL E MOÇAMBIQUE TROCAM CARTAS E APROXIMAM DOIS CONTINENTES




A aproximação de dois continentes, reafirmando uma identidade comum e fortalecendo a tolerância e a cultura de paz. É o resultado da troca de cartas entre alunos da Escola Municipal “Paulo Cezar Cunha”, em Contagem (MG), e a “Escola Primária e Completa de Canongola”, na Província de Tete, em Moçambique.

Desde o final de 2008 as duas escolas começaram a trocar correspondências, mas foi ao longo de 2010 que o intercâmbio se consolidou e foi ampliado, em função do Projeto “Cartas Além-Mar”, que integra a Sétima Edição do Programa Minha Escola Cresce, do Instituto Arcor Brasil. O Projeto está vinculado ao sentido da Lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que prevê o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas do país.

O conhecimento da dura realidade dos colegas africanos é um dos impactos do Projeto “Cartas de Além-Mar” entre os alunos da escola de Contagem. Na escola moçambicana a relação professor/aluno é de um para cada grupo de 89 a 95. Em cada carteira se acomodam quatro alunos. A escola moçambicana enviou jornais locais, fotografias e outros materiais, subsidiando os debates que aumentaram na EM “Paulo Cezar Cunha”, que já recebeu o reconhecimento da Unesco pela iniciativa.

(…)

Para ver o site que foi extraído clique AQUI.



Convido a todos/as nossos/as leitores e leitoras, sobretudo os/as estudantes da E. M. Albertina Alves do Nascimento, a comentarem sobre o projeto “Cartas Além-Mar”.
Algumas questões para nortear o nosso debate: Em que consiste o projeto “Cartas Além-Mar”? O que achou do projeto? Como se dá a comunicação entre as duas escolas? Quais as diferenças entre as escolas contagenses e a escola moçambicana? A Unesco “premiou” o projeto da escola contagense, mas o que é a Unesco? Por que o projeto tem relação com a lei 10.639/03?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O fenômeno do Kuduro

Kuduro é um gênero musical e, sobretudo, um tipo de dança surgida em Angola. Hoje em dia, está também disseminado nas periferias da cidade de Lisboa (Portugal) e tem conquistado adeptos também no Brasil, sobretudo na Bahia e no Rio de Janeiro. É influenciado por outros gêneros musicais como Sungura, Kizomba, Semba, Reggae Rap e é atualmente o gênero musical mais popular em Angola.
As letras caracterizam-se por sua simplicidade, humor e sensualidade, embora muitas vezes de caráter machista. São geralmente escritas em português (língua oficial angolana), mas trazem também palavras de línguas nacionais angolanas (por exemplo, kimbundo).
O kuduro surgiu primeiro como uma dança e depois evoluiu para um gênero musical. Muito provavelmente, o nome kuduro provém também do kimbundo (língua nacional de Angola) ou tem relação com o próprio estilo de dança com “o quadril duro”.
O kuduro, surgido há algumas décadas na periferia de Luanda (capital de Angola), tornou-se uma “febre” em Angola e já tem atraído atenção da imprensa brasileira. O estilo se baseia na kazukuta (estilo musical carnavalesco angolano) com música eletrônica. Essa mistura lembra um pouco o funk carioca, pois também tem um ritmo eletrizante. Vale lembrar que as relações entre Brasil e Angola não se restringem ao kuduro. Muitas das pessoas que foram trazidas da África para serem escravizadas no Brasil vieram de portos angolanos, fazendo com que brasileiros e angolanos partilhem ritmos e histórias.



Convido a todos os/as nossos/as leitores e leitoras, sobretudo os estudantes da E. M. Albertina Alves do Nascimento, a dialogarem com a gente sobre Angola e sobre o kuduro.


Onde fica Angola? Por que a língua oficial de Angola é o português? Por que o kuduro tem feito sucesso nas periferias de Portugal? Quais as similaridades entre o funk carioca e o kuduro? Quem é capaz de mostrar o machismo em uma letra de kuduro? Quem consegue indicar nas letras de kuduro palavras das línguas nacionais de Angola (línguas africanas)? O que você acha do kuduro?